
Novembro começou com o Fórum de Educação Corporativa 2011, realização da Revista T&D e iniciativa de Adriana Schneider que estimulou a vinda do evento para o Rio de Janeiro. O encontro ocorreu no auditório da Bolsa de Valores e contou com palestrantes como Marcos Cavalcanti, Andrea Ramal e Stavros Xantopoylos.
O dia começou em grande estilo, o primeiro a falar foi o professor da Coppe – UFRJ Marcos Cavalcanti, sua exposição nos proporcionou uma reflexão sobre as novas corporações e os recursos tangíveis e intangíveis destas empresas. Com provocações como “O Google vale mais que Petrobras e Vale juntas”, Cavalcanti defendeu o capital intelectual como o grande recurso corporativo. Sua tese veio afirmar que os bens materiais quando passados a outra pessoa, deixam o seu antigo detentor pobre, enquanto isto, os bens intelectuais, quanto mais passados adiante e compartilhados, mais enriquecem o seu transmissor. Em uma entusiasta crítica à sociedade cartesiana e uma defesa ao mundo do conhecimento, Cavalcanti afirmou que não vivemos mais uma Era de Mudança, mas uma mudança de Era. Recomendou ao seu público o filme Para o dia Nascer Feliz e o vídeo As Escolas Matam a Criatividade. Sua palestra foi um discurso contra a mediocridade e um estímulo às paixões e ao talento.
A Pedagoga Andrea Ramal compartilhou com o público 7 hábitos dos processos de T&D altamente eficientes. Sua fala esteve baseada em casos vivenciados por sua empresa ID Projetos Educacionais em organizações como SHV Gas, Volkswagen, Usiminas, Light, Ambev, Pão de Açúcar. De forma didática, Ramal trouxe sugestões importantes para que as empresas possam entender os principais passos para organizar sua área de Educação Corporativa, passando pelo mapeamento de competências, trilhas técnicas e preocupada com a disseminação das informações através dos multiplicadores do conhecimento. Em sua palestra, defendeu a customização de produtos para melhor atender os clientes e criticou as empresas que sempre oferecem produtos de prateleira, visando apenas fazer o mais cômodo e se distanciando dos reais problemas por oferecer soluções genéricas.
Daniel Castello subiu ao palco duas vezes, foi o responsável por falar diante do tema Uma abordagem estratégica para a Capacitação Profissional e por fazer uma irreverente conclusão do encontro, agrupando os temas mais importantes do dia com alguns questionamentos e opiniões. Em sua fala, defendeu a Educação Corporativa como elemento estratégico, trouxe interessantes cases sobre a realidade da Educação Corporativa italiana e, sob forma de crítica, comparou-a à realidade brasileira, nos levando a uma reflexão sobre nossos erros ao nos organizarmos enquanto nação e por abdicarmos de antever momentos importantes para nosso país. Castello, coerentemente, fez objeções a Lei 12513 que disse trazer resoluções lentas para nossas necessidades urgentes.
Sob o tema Treinamento ou melhoria de desempenho: o que entregamos? esteve Fábio Santos Ribeiro, Presidente da ABRH-RJ e Diretor da HPT Consultoria. Em uma fala extremamente organizada e objetiva, o engenheiro Fábio Santos reabilitou o debate que, há muito, os pedagogos deixaram de lado: o behaviorismo. Segundo ele, muito preconceito e formulações conceituais equívocas se têm formulado sobre o tema, mas, na verdade, quando olhado a fundo, o que se tem acostumado a chamar de comportamentalismo, ainda é uma forma séria e muito eficaz de interpretar a educação. O objetivo de sua fala foi levar o público a entender que o objetivo fim da corporação é atingir o melhor desempenho possível, sendo assim, só é necessário pensar Treinamento e Desenvolvimento na medida em que contribuem para esta melhora de desempenho. Não basta treinar por treinar, o treinamento é uma engrenagem importante dentro da corporação e seu melhor indicador é observar se os lucros da empresa aumentaram graças a ele. Indo à raiz do problema, Ribeiro apontou que grande parte do mau desempenho se dá porque as pessoas não sabem o que fazer no local de trabalho, pois as empresas não têm se estruturado a ponto de comunicar aos colaboradores o seu verdadeiro papel. Com uma fala irônica, o palestrante trouxe os principais mitos sobre o desempenho e os discursos mais caricaturais que permeiam o dia a dia das corporações. Sua palestra estimulou o público a entender que se há uma cultura real de bom desempenho, deve-se valer a pena ser melhor.
Representando a FGV-Online, esteve presente o educador Stavros Xantopoylos que mais uma vez contribuiu com uma concreta defesa da Educação a Distância. Sob o tema O papel da UC na Gestão do Conhecimento das Empresas, sugeriu o fim da nomenclatura Educação a Distância – que passa a idéia de frieza – e defendeu uma Educação Digital que está presente a todo tempo no nosso cotidiano. Para o educador, não pode existir gestão da aprendizagem sem gestão do conhecimento. Ele crê que essa percepção ocorrerá nas organizações na medida em que elas evoluem de simples organizações que treinam para Universidades Corporativas. Para ele, o Brasil está no mesmo nível dos outros países no que se diz respeito à qualificação para o mercado. Toda a juventude mundial parece despreparada diante do mercado, a vantagem que alguns países têm sobre o Brasil é que, neles, a Educação Digital já é vista como diferencial profissional, enquanto nós ainda a discriminamos muito. No futuro, cada vez mais estaremos familiarizados com os meios digitais e, assim, terá mais força o que Xantopoylos chama de cidadania digital, composta por nativos digitais (aqueles que nascem diante do computador) e os imigrantes digitais (aqueles que não nasceram diante do computador, mas, atualmente, vivem diante dele). Desta forma, não devemos esperar por mais uma revolução da internet, mas por habitarmos uma nova dimensão de comunicação em um ciberespaço.
Por último, o evento contou com a participação do Senac Rio que trouxe o tema O Perfil Profissional do Séc. XXI: ampliando o olhar sobre mapeamento de competências focado na Inovação. Após uma contextualização da contemporaneidade, a equipe do Senac apresentou possíveis características do que é inovação e falou um pouco sobre suas soluções corporativas, mostrou-se também preocupada com o apagão de líderes, matéria veiculada pelo caderno Boa Chance de O Globo. Sem o diálogo com cases reais, a inovação ficou em um plano teórico sem devidas concretizações. Talvez, se experimentasse a aplicação desse processo internamente, a análise poderia ser mais pautada em experiência e menos abstrata.
Após um dia repleto de encontros, informações e debates, o Fórum de Educação Corporativa 2011 deixou muitas lições e a perspectiva de ampliação do projeto para 2012, até porque o Rio de Janeiro tem se acostumado a acolher eventos importantes e aparece como uma das cidades mais importantes no cenário mundial.
Vinícius Antunes
Rio de Janeiro, 2 de novembro de 2011.